sexta-feira, 16 de outubro de 2009

DEUS NO CEREBRO DE FREIRAS CARMELITAS

Em meados do ano passado, cientistas da Universidade de Montreal
submeteram à ressonância magnética o cérebro de freiras carmelitas que
disseram ter tido “uma experiência de intensa união com Deus”.

O objetivo imediato era ver de que modo a lembrança de Deus, nesse
momento de epifania, se manifesta no cérebro. A longo prazo, a idéia dos
cientistas é mapear os efeitos positivos da religião na mente dos fiéis, de
modo a ser possível reproduzi-los artificialmente, considerando-se que a
fé torna as pessoas mais felizes e nem todas as pessoas a têm.

Escaneado o cérebro de freiras
 Seria Deus o um pontinho amarelo?

A edição deste mês da revista Scientific American Mind, que comentou
alguns dos resultados do trabalho, diz que o objetivo é também entender
melhor a base neural de um fenômeno que desempenha um papel central
na vida de tantas pessoas.

“Essas experiências existem desde o princípio da humanidade”, declarou
Mario Beauregard, responsável pelo estudo. “Elas vêm sendo relatadas por
todas as culturas. É importante estudar a base neurológica da experiência
religiosa, assim como fazemos com a emoção, a memória e ou a linguagem.”

A ciência que estuda a base neural da espiritualidade e emoçao religiosa é a "Neuroteologia", também conhecia como Bioteologia ou Neurociência
Espiritual.

A sua meta está em descobrir os processos cognitivos que produzem
experiências espirituais ou religiosas e relacioná-las com padrões de
atividade no cérebro, como elas evoluiram nos humanos, e os beneficios
dessas experiências.

As pesquisas neuroteológicas foram iniciadas nos anos 70 pelo psiquiatra e antropólogo Eugene d’Aquili, na década de 90 se juntou ao radiologista
Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, que aos 35 anos tornou-se
uma das principais figuras que explora as ligações entre espiritualidade e o
cérebro

Andrew Newberg já havia submetido a exames tomográficos o cérebro de
budistas tibetanos mergulhados em profunda meditação e um grupo de
freiras franciscanas, que rezavam fervorosamente durante 45 minutos.

O resultado daquela pesquisa mostrou que as imagens do lobo parietal
superior acusavam uma queda na atividade dessa região, que chegava a
ficar bloqueada no momento mais intenso, isto é, no momento que o
meditador experimenta a sensação de iluminação religiosa.

O mais interessante é que essa área do cérebro proporciona ao homem o
senso de orientação no espaço e no tempo.Isso levou os pesquisadores a
concluírem que, privados de impulsos elétricos, os neurônios do lobo
parietal desligariam os mecanismos das funções visuais e motoras do
organismo.

Isso levou Newberg a dizer: O sentimento de unicidade parece paralisar os
receptores sensórios da região parietal”.  Exatamente por isso, o cérebro
não consegue traçar fronteiras e por isso percebe o “eu” como um ente
expandido, ilimitado e unido a todas as coisas.

As imagens dos lobos temporais, na região do “cérebro emocional”, também conhecida como sistema límbico, indicam uma atividade intensa dessas áreas durante as experiências contemplativas.

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