quarta-feira, 30 de junho de 2010

SOM DA PARTICULA DE DEUS

O processo de transformar dados científicos em sons é chamado sonificação. Até o momento, a equipe de Asquith havia criado diversas simulações baseadas em previsões do que aconteceria durante as colisões no LHC

Cientistas simularam o som de partículas subatômicas produzidas no Grande Colisor de Hádrons (LHC), na Suíça. O objetivo é facilitar a identificação da chamada "Partícula de Deus" - o bóson de Higgs - cuja existência ainda não foi confirmada, mas que, segundo teorias, daria massa a todas as outras.

A cientista Lily Asquith coordenou a equipe que desenvolveu o modelo que transforma dados do gigantesco experimento Atlas, no LHC, em sons.

O experimento mostra que "ouvir os dados" tem uma função prática, muito além de um significado poético. Carl Sagan explorou o tema em seu livro Contato, em que a cientista prefere "ouvir" as transmissões vindas do espaço do que confiar nas análises precisas feitas pelos computadores.

"Se a energia estiver perto de você, você ouve um som grave, e se estiver mais longe, mais agudo", disse Asquith.

O colisor é um projeto bilionário construído na fronteira entre a França e a Suíça para tentar responder algumas perguntas fundamentais para a física.

O experimento acontece em um túnel circular de 27 quilômetros de comprimento, repleto de imãs que "conduzem" prótons pelo imenso anel.

Em certos pontos do trajeto, os feixes de prótons mudam de trajetória e se chocam em quatro experimentos, que são minuciosamente monitorados pelos cientistas.

É nessas colisões que os estudiosos esperam encontrar novas partículas subatômicas, como o bóson de Higgs, que ajudariam a entender a origem do Universo.

Atlas é um dos quatro experimentos do colisor. Um instrumento batizado de calorímetro é usado para medir energia e é composto de sete camadas concêntricas.

Cada uma dessas camadas é representada por um tom diferente, dependendo da quantidade de energia contida nele.

O processo de transformar dados científicos em sons é chamado sonificação. Até o momento, a equipe de Asquith havia criado diversas simulações baseadas em previsões do que aconteceria durante as colisões no LHC.

Só agora eles começaram a utilizar dados de experimentos reais. "Quando você ouve as sonificações, na realidade, o que você está ouvindo são dados. Elas são fiéis aos dados e dão informações sobre os dados que não seriam possíveis de se obter de qualquer outra maneira", disse Archer Endrich, um desenvolvedor de software que trabalha no projeto.

Pela sonificação, os cientistas esperam poder identificar diferenças sutis para detectar novas partículas.

Um compositor envolvido com o projeto, Richard Dobson, destacou ter ficado impressionado com a musicalidade das colisões.

"É possível ouvir estruturas claras nos sons, quase como se tivessem sido compostas. Cada uma parece contar uma pequena história. São tão dinâmicas e mudam o tempo todo, que se parecem muito com as composições contemporâneas", disse o músico.

BBC - 23/06/2010

PARTICULA DE DEUS BÓSON DE HIGGS


Uma pesquisa da Organização Européia de Pesquisa Nuclear Cern, na Suíça, pode ter identificado uma das partículas mais procuradas por físicos em todo o mundo, conhecida como "bóson de Higgs" ou "partícula de Deus", por ser supostamente a origem de toda a massa do universo.

Segundo a teoria elaborada em 1960 pelo físico Peter Higgs, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, todas as partículas de matéria na verdade não têm massa própria. Elas só receberiam essa massa por meio de interações com uma outra partícula, que ficou conhecida como "bóson de Higgs".

De acordo com a teoria, sua massa é muito alta, e são necessárias energias até 100 mil vezes maiores do que energias nucleares para detectá-la. Peter Renton, cientista da Universidade de Oxford, afirma que o bóson de Higgs pode ter sido detectado no acelerador de partículas do Cern.

"Há indícios, mas ainda é questionável se estamos falando realmente do bóson de Higgs", declarou o cientista. Os resultados "são compatíveis com a teoria do bóson de Higgs, mas só uma observação direta pode demonstrá-la."

O acelerador de partículas do Cern, que forma uma circunferência de 27 km de perímetro, foi desmontado para dar lugar a um equipamento maior e mais potente e poderá dar mais velocidade e conseqüentemente mais energia às partículas.

A probabilidade de que os indícios encontrados pelos pesquisadores sejam na verdade apenas "ruídos" é de 9%. Nas colisões feitas anteriormente no Cern, foram observadas 16 partículas que, de acordo com a teoria, formam toda a matéria do universo. Mas, contrariando as expectativas, essas partículas observadas não tinham massa. Isso contraria as teorias básicas da física, mas seria explicado pela teoria do "bóson de Higgs".

BBC do Brasil