quarta-feira, 26 de maio de 2010

BOTÃO DE ROSA CÓSMICO


O satélite Wise, que explora partes do espaço com a ajuda de telescópio infravermelho, enviou à Agência Espacial Americana, uma imagem descrita pela Nasa como um botão de rosa cósmico florescendo com estrelas jovens. As estrelas, de poucos milhões de anos (consideradas jovens pela Nasa) são os pontos azuis à direita, e estão 'amadurecendo' fora da nuvem de poeira que deu origem a elas.

A porção vermelha que seria o “botão de rosa” é a poeira aquecida pelas estrelas azuis. E a folha que envolve o botão – a parte verde da imagem – é uma densa nuvem de poeira. Ela é composta por hidrocarbonetos aromáticos, substância encontrada em churrasqueiras, chaminés ou qualquer lugar onde tenha ocorrido combustão.

Os pontos vermelhos dentro da nebulosa verde indicam uma nova leva de estrelas se formando, provavelmente como conseqüência da compressão e do calor das estrelas novas. Um remanescente de supernova indica que uma estrela com muita massa também explodiu nessa área, “estourando” a nuvem e fazendo com que ela adquirisse essa forma de botão de flor.

Tudo isso está a aproximadamente 3.300 anos-luz da Terra. O Wide-field Infrared Survey Explorer (WISE), é um satélite da Nasa que carrega um telescópio infravermelho que irá ajudar pesquisadores a estudar partes do Sistema Solar, Via Láctea e do Universo mais difíceis de serem observadas com outros telescópios

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/1,,EMI128222-17770,00.htmL

COSMOS A VIDA SEMPRE EXISTIU

Todos os seres vivos da Terra, das baleias azuis às menores bactérias, são descendentes de um único ancestral que viveu há mais de 3,8 bilhões de anos.  Em 1821 o francês Sales-Gyon de Montlivault sugeriu que a vida terrestre poderia ter se desenvolvido a partir de "sementes vindas da Lua". O alemão Herman Richter pouco depois ampliou a idéia ao imaginar que cometas e meteoritos teriam a capacidade de agir como um sistema de transporte cósmico, recolhendo microorganismos flutuantes e levando-os para os diversos mundos. Em 1908 o cientista sueco Svante Arrhenius cunhou o termo panspermia, que significa "sementes por toda a parte", para designar o conceito de que a vida na Terra seria na verdade o desdobramento de um processo cujas origens estão no espaço.

Durante anos a panspermia foi vista como mera curiosidade pelos estudiosos da origem da vida e hoje ainda é considerada com muitas reservas. Na última década, porém, o avanço na pesquisa espacial mostrou que pelo menos o material orgânico necessário para formar um ser vivo é abundante no cosmos.

Surgiram duas novas evidências. Graças aos dados obtidos por um aparelho a bordo da sonda americana Stardust, que atravessou a cauda do cometa Wild-2 , pesquisadores do Instituto Max Planck anunciaram ter encontrado moléculas similares às co-enzimas PQQ, consideradas um pré-requisito para a vida e encontradas em todos os seres vivos com exceção das arqueobactérias. Pouco depois foi a vez de um time de cientistas liderados pelo alemão Uwe Meierhenrich divulgar a descoberta de seis tipos de diaminoácidos em análises feitas no meteorito Murchinson, que caiu na Austrália em 1969. "Os tijolos essenciais à vida foram forjados no espaço", disse Meierhenrich a GALILEU. Mas por enquanto tais afirmações ainda estão longe de desfrutar de unanimidade na comunidade científica.

A passagem do cometa Halley em 1986 foi um dos fatores que levaram os cientistas a olhar com mais interesse as especulações sobre a possível influência do espaço no surgimento da vida na Terra. "Até então pensava-se que os cometas eram apenas bolas de neve sujas", explica o astrônomo do Sri Lanka Chandra Wickramasinghe, que vive na Inglaterra. "As análises do Halley mostraram que havia muita matéria orgânica em sua estrutura."

Wickramasinghe foi aluno de um dos mais famosos físicos do século 20, o inglês Fred Hoyle (1915-2001). Os dois começaram a criar suas próprias idéias sobre uma possível origem cósmica para a vida a partir do estudo da poeira cósmica ainda na década de 1970. Partindo das análises das alterações sofridas pelos raios infravermelhos gerados no centro da Via-Láctea, ambos foram pioneiros em sugerir a existência de matéria orgânica em nuvens interestelares, fato hoje confirmado.

Hoje Wickramasinghe acredita que sejam evidências indiretas da existência de bactérias. "Um terço de todo o carbono da Via-Láctea está sob a forma de matéria orgânica complexa que, tanto do ponto do seu tamanho quanto pelas análises por espectrômetro, tem características semelhantes às bactérias", disse Wickramasinghe a GALILEU. "Outros 25% do carbono da galáxia estão sob a forma de moléculas do tipo PHA, que são comumente consideradas como subproduto da ação de bactérias. Há vida por toda a galáxia", acredita.

Essas bactérias viveriam espalhadas na poeira cósmica de que são feitos os sistemas planetários. "Nesses casos, a primeira coisa que se forma são os cometas", diz o astrônomo. À medida que os planetas se formam, sua atração gravitacional combinada mexe com os cometas. Alguns são jogados no espaço profundo, outros atraídos para colidir com as superfícies planetárias.

A pesquisa geológica mostra que houve fases no passado em que a chuva de cometas e meteoritos era bem mais forte do que é hoje. "E a pesquisa geológica mostra que justamente há 3,9 bilhões de anos, quando a vida surgiu, a Terra passava por uma fase em que sofria impactos freqüentes", raciocina Wickramasinghe.

A Terra não possui mais as crateras criadas pelo bombardeio de quase 4 bilhões de anos atrás para que se possa avaliar a freqüência com que os cometas caíam aqui. Mas a Lua sim. Em 2002 o geólogo americano David Kring analisou amostras dessas crateras lunares trazidas pelas missões Apollo e concluiu que, em sua maioria, devem ter sido criadas pela ação de asteróides, e não de cometas. O mesmo, afirma ele, deve ter ocorrido na Terra.

Mesmo excluindo-se os cometas, os defensores da panspermia apontam outras maneiras pelas quais a vida poderia chegar até aqui. A menos apoiada é a que sugere que os microorganismos seriam capazes de sobreviver por muito tempo em pleno vácuo cósmico sem nenhuma proteção contra a radiação e os raios cósmicos. Uma possibilidade mais aceita é a troca de pedras entre planetas.

Essas trocas são conhecidas desde os anos 1980 quando foram identificados meteoritos vindos de Marte. Alguns caíram aqui há 15 milhões de anos, outros há apenas 700 mil. A análise de um deles, o ALH84001, levou alguns cientistas da Nasa a afirmarem em 1996 terem encontrado fósseis de bactérias marcianas. Hoje em dia, porém, a maior parte dos estudiosos pensa que os tais fósseis foram formados por processos não-orgânicos.

Mas gente como o físico australiano Paul Davies, diretor do Centro Australiano de Astrobiologia, acredita que a vida pode sim ter surgido primeiro no planeta vermelho e chegado até aqui de carona num desses meteoritos, na época dos grandes impactos. "Devido à força dos impactos, é difícil que a vida tivesse condições para se desenvolver na superfície de qualquer planeta. Mas poderia se desenvolver no subsolo. Acontece que naquela época o interior da Terra ainda era quente demais, enquanto Marte já tinha se resfriado por ser um planeta menor", explica.

Outros argumentos favoráveis são o fato de o planeta vermelho ter possuído água e condições para o surgimento da vida há 4,5 bilhões de anos, muito antes da Terra. Desta forma a vida poderia ter surgido originalmente em Marte e atingido um grau importante de complexidade antes de ter chegado à Terra. "Sabemos que pouco depois da fase dos grandes bombardeios, a vida já existia na Terra com toda a sua complexidade bioquímica", diz Davies. "Seja lá como ela tenha surgido, aconteceu muito rápido. Para mim isso é um indício de que a vida veio de fora."

Além de responder onde a vida surgiu, é preciso explicar como. E aqui o debate toca em questões filosóficas. A visão de que reações químicas aleatórias levariam inevitavelmente ao aparecimento da vida é bombardeada por Davies. "As chances de que a combinação aleatória da matéria orgânica espacial possa produzir proteínas são de 1 em 1040000", diz.

Ele acredita que a explicação pode estar em alguma propriedade da natureza que ainda não descobrimos, mas que assegura que o cosmos não é fruto do acaso. "Acho que a existência do universo tem um propósito", diz. Wickramasinghe tem uma visão ainda mais heterodoxa: "Não acho que a vida teve um começo. Penso que ela sempre existiu".

Um dos mais famosos estudiosos da origem da vida, o americano Stanley Miller, sugeriu a existência de um antepassado do DNA chamado PNA (sigla em inglês para ácido peptídico nucléico). Os di-aminoácidos que Meierhenrich encontrou no meteorito Murchinson são exatamente o tipo de molécula que poderia ter formado o PNA. "Nossa descoberta é uma pequena peça num quebra-cabeças, mas se encaixa perfeitamente em nossas teorias sobre a origem molecular da vida", diz o alemão.

Ele sugere uma seqüência: os di-aminoácidos são formados no espaço pela radiação interestelar. Depois são trazidos à Terra onde entram em contato com a água. A partir daí se combinam e formam uma espécie primitiva de código genético, conhecida como PNA. O PNA leva à formação do RNA, do DNA (Galileu 142) e da primeira célula.

"Nenhum dos experimentos em Marte procurou por vida nos locais mais adequados, que ficam embaixo da superfície", acredita Davies. "O ideal é trazer amostras para examinar na Terra." "A busca por vida inteligente extraterrestre ainda é muito recente. É cedo para chegarmos a qualquer resposta definitiva', pondera Wickramasinghe. Pois é essa necessidade de mais pesquisas, reconhecida pelos próprios adeptos dessas teorias, que, por enquanto, mantém a panespermia com o status de "idéia interessante, mas muito especulativa" que desfruta dentro da comunidade científica.
Astros brilhantes
poderiam servir como viveiros para bactérias