quarta-feira, 27 de abril de 2011

FEIXES DE ENERGIA VINDO DO ESPAÇO EM DIREÇÃO AO PLANETA TERRA

Astrónomos anunciaram a descoberta de um feixe modulado de energia, muito alta, vindo do Espaço, que varre a Terra com a regularidade de um farol, com uma intensidade 100 mil vezes superior ao mais potente até agora observado.

O feixe tem origem num sistema binário, chamado LS 5039, formado por uma estrela de neutron azul maciça, vinte vezes maior do que o Sol.Ambos formam o que os cientistas chamam de um "relógio cósmico". A descoberta abre o caminho para uma melhor compreensão da dinâmica destes sistemas binários.
Na nossa galáxia, mais de 80% das estrelas são membros de sistemas múltiplos constituídos de várias estrelas em órbita umas das outras. Estrelas isoladas, como o Sol, são minoria.

A equipe do Observatório Hess High Energy Stereoscopic System, instalado na Namíbia descobriu emissão de raios gama, cuja intensidade é máxima quando o objeto compacto está à frente da estrela e mínimo, mas não nulo, quando está atrás.

Esta emissão gama teria origem na interação violenta entre o objecto compacto e o vento estelar um fluxo de partículas aceleradas na atmosfera da estrela e responsável, no caso do Sol, pelas tempestades magnéticas e as auroras boreais. A modulação observada teria origem na modulação, ao longo da órbita, dos processos de aceleração das partículas.

"É a primeira vez que acontece na história da astronomia raios gama constituidos de energia muito alta numa experiência repetida de aceleração de partículas num ambiente determinado", disse Mathieu de Naurois, Laboratório de Física Nuclear e de Altas Energias, em Jussieu.

Fruto de uma iniciativa franco-alemã, o observatório HESS, instalado na Namíbia, permitiu à pesquisa europeia um importante avanço sobre os Estados Unidos no terreno da astrofísica das altas energias.

Os quatro telescópios do HESS varrem o céu para detectar os feixes de luz azulada emitidos quando partículas de energia muito alta vão chocar contra as camadas superiores da atmosfera.  Ao serem analisados, podem constituir mapas do céu visto com energias 100 biliões de vezes mais elevadas que a luz visível.

O HESS permitiu que fossem descobertas mais de 40 fontes de radiação de alta energia, enquanto que eram conhecidas apenas dez antes de ter sido posto
em funcionamento.

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