terça-feira, 19 de abril de 2016

POTENCIAL É IMENSO SOBRE ONDAS DE GRAVIDADE


Foto: Reprodução/ Ligo)

Há 100 anos, quando publicou sua Teoria da Relatividade Geral, o físico Albert Einstein previu a existência de ondas de gravidade – ondulações no tecido do espaço-tempo provocadas pela movimentação de corpos com grandes massas, dotados de poderosos campos gravitacionais. As tais ondas eram bonitas na lógica e os cientistas achavam que elas existiam mesmo. Ninguém conseguira detectá-las. Até setembro passado.

Na quinta-feira (12), cientistas do  Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Ligo) anunciaram a detecção de ondas de gravidade geradas pela colisão de dois buracos negros. O evento aconteceu há 1,3 bilhão de anos e atingiu a Terra no final de 2015. ÉPOCA explicou o que são ondas de gravidade e como a descoberta foi feita em outra reportagem.

O anúncio do Ligo animou os cientistas. A detecção de ondas de gravidade serve de evidência para a Teoria da Relatividade Geral, e ressalta a importância do trabalho de Einstein para a física moderna. Mais que isso, elas também nos fornecem uma nova maneira de investigar o Universo. Até hoje, a astronomia tenta entender o cosmos por meio da radiação – nossas variedades de telescópio processam diferentes comprimentos de onda do espectro eletromagnético, desde a luz visível aos raios-x, para criar imagens de galáxias distantes.  Eles são inúteis para estudar algumas estruturas mesquinhas, como os buracos negros, pouco afeitas à ideia de liberar radiação para ser estudada. As ondas de gravidade poderão ser usadas para investigar esses fenômenos e nos permitir maior compreensão do que acontece no espaço profundo: “O potencial de descoberta é incrível”, diz Ira Thorpe, astrofísico da Nasa, a Agência Espacial Americana. “Nós inauguramos o campo da astronomia de ondas gravitacionais”.

Thorpe também trabalha com ondas de gravidade. Ele é membro de um projeto chamado Lisa Pathfinder, realizado pela Agência Espacial Europeia em parceria com outras organizações em todo o mundo. A ambição desses cientistas é colocar um detector de ondas de gravidade no espaço, entre a Terra e o Sol. Ali, o aparelho – muito sensível – estará livre do ambiente tumultuado encontrado em terra, cheio de interferências. “Ele nos permitirá obervar tipos diferentes de fontes de ondas de gravidade, como os milhões de buracos negros nos centros das galáxias”, diz Thorpe. O Lisa Pathfinder é uma versão de testes desse projeto e foi lançado em dezembro de 2015. Thorpe explica porque está animado com o anúncio do Ligo.

ÉPOCA – O que as ondas gravitacionais podem nos ensinar sobre o Universo? O potencial de descobertas é imenso. Historicamente, toda vez que começamos a usar uma nova ferramenta para olhar o universo – radioastronomia, raios x – fizemos descobertas inesperadas e fascinantes. Um detector de ondas gravitacionais é o tipo de telescópio mais peculiar que conseguimos imaginar, por isso espero que façamos descobertas de grande importância. Mesmo o sistema anunciado nesta quinta-feira, resultante da fusão de dois buracos negros cuja massa era 29 e 36 vezes a massa do nosso Sol, foi um anúncio inesperado. Nós sabíamos que, na teoria, o Ligo era capaz de detectar esse tipo de sistema, mas não tínhamos certeza de que eles existiam na natureza. Porque trata-se de algo quase impossível de observar por qualquer outro método. Essa descoberta é apenas uma pequena amostra do potencial dessa técnica.

ÉPOCA: A comunidade científica alimentava grandes expectativas para o anúncio do Ligo desde setembro passado. Há quem diga tratar-se da descoberta científica mais importante em décadas. Qual a relevância desse anúncio para a ciência? O anúncio é importante porque ele é pioneiro, e inaugura o campo da astronomia de ondas gravitacionais. Ainda vamos fazer ciência de boa qualidade com os dados coletados a partir desse sistema, e eu espero que o Ligo traga novas descobertas – em ritmo crescente –à medida que seu aparato for sendo aperfeiçoado. Outros esforços de pesquisa vão se unir ao Ligo nos próximos anos, e o campo deve se desenvolver muito. Mas esse sistema de buraco negro, que agora batizamos de GW20150914, vai ser famoso para sempre por ter sido o primeiro.

De maneira mais geral, a descoberta também exemplifica o poder do método científico. Tínhamos uma previsão, uma teoria elaborada por Einstein há um século que, na época, era vista mais como uma espécie de curiosidade matemática. Conforme a tecnologia avançava, percebeu-se que confirmar essa teoria era algo factível. Um esforço empreendido por centenas de cientistas ao longo de décadas provou que aquela previsão era verdadeira. É algo fascinante.

ÉPOCA: Ondas gravitacionais são geradas apenas por eventos extremos, como o choque de dois buracos negros? Ou corpos com menos massa também podem criá-las? Em princípio, qualquer massa em movimento, como a Terra girando em torno do Sol, vai gerar ondas gravitacionais. No entanto, essas ondas são muito fracas para ser detectadas por qualquer instrumento que possamos imaginar atualmente. É necessário algo da medida extrema de um buraco negro para produzir um efeito capaz de ser percebido na Terra, ainda que a bilhões de anos luz de distância.

ÉPOCA: Durante os anos 1990, quando o Ligo foi criado, houve uma discussão quanto a se ele deveria ou não receber verbas do governo americano. Ondas gravitacionais não têm aplicações cotidianas. Por que, ainda assim, é importante apostar nesse tipo de pesquisa? Como várias outras áreas das ciências básicas, a onda gravitacionais não têm impacto prático e imediato na sociedade. Não vamos usá-las como fonte de energia nem como meio de comunicação. Mas é possível que outras tecnologias desenvolvidas para o Ligo tenham aplicação em outras áreas da ciência, ou mesmo potencial comercial. Mais importante que isso, nós usamos essas pesquisas para entender a natureza do universo e nosso lugar nele, um esforço com o qual a sociedade simpatiza. O dinheiro investido nessa pesquisa vai retornar para a sociedade, para a indústria e para o mundo acadêmico. A força de trabalho treinada em projetos como o Ligo será capaz de prestar contribuições importantes, dentro e fora da esfera científica.

ÉPOCA: A teoria da relatividade geral de Einstein completou 100 anos em 2015. Há ainda algo nela que careça de confirmação? A natureza da ciência diz que uma teoria nunca é completamente provada. A evidência que a suporta simplesmente continua a surgir. Ondas de gravidade, sem dúvida, estão entre as mais bizarras e exóticas previsões da Relatividade Geral, e sua observação representa um imenso triunfo para a teoria de Einstein. Eu espero que a astronomia de ondas de gravidade seja capaz de fazer experimentos cada vez mais precisos. Ainda sim, em algum nível, continuamos a procurar por falhas na teoria que, talvez, possam levar a novas descobertas.

ÉPOCA: O senhor trabalha em um projeto que, no futuro, planeja colocar um detector de ondas de gravidade no espaço. Qual a vantagem de um aparelho desses em relação a um detector em terra? Trabalho no Lisa Pathfinder, um projeto que tenta demonstrar quais tecnologias podem ser usadas para detectar ondas de gravidade no espaço. Ele antecipa certos conceitos que tentamos testar, como o da Antena Espacial de Interferômetro Laser (Lisa, na sigla em inglês). Estar nos espaço pode ser vantajoso em, pelo menos, dois sentidos: esses aparelhos podem ser muito grandes (com milhares de quilômetros), e podem ficar distantes do ambiente barulhento da Terra. Isso permitira a Lisa ser sensível a comprimentos de onda diferentes do que Ligo detecta hoje. E nos permitirá obervar tipos diferentes de fontes de ondas de gravidade, como os milhões de buracos negros nos centros das galáxias. A ideia do Lisa não é suplantar o Ligo, mas servir como seu complemento. Mais ou menos como a radioastronomia complementa a astronomia óptica.

ÉPOCA: O anúncio feito pelo Ligo terá de ser reproduzido por outros grupos de pesquisa, ou já podemos considerar a descoberta deles correta? Certeza é um conceito difícil de trabalhar em ciência. Pessoalmente, eu confio bastante no Ligo. Eles não anunciaram sua descoberta antes de o trabalho ser revisado por cientistas de fora do grupo e ser aceito por uma revista científica. O Ligo tenta evitar alarmes falsos ao manter dois detectores distantes um do outro. O sinal deve ser reconhecido por ambos, para ser levado em conta. Há outros grupos trabalhando com abordagens semelhantes ao Ligo. A relação é de colaboração muito mais que de competição. Ao colocar mais detectores para funcionar,  nós vamos, gradualmente, aumentar a sensibilidade do sistema, reduzir as possibilidades de alarmes falsos e aprimorar a nossa habilidade de determinar de que ponto do céu o sinal detectado partiu. Há detectores na Europa que ajudaram no trabalho apresentado na quinta-feira. E outros devem ser construídos no Japão, Índia e China.

Revista Época

O CAMPO MAGNÉTICO DA TERRA PERMITIU A EXISTÊNCIA DE VIDA NO PLANETA

Edufrn/UFRN

a Terra teria sido varrida pelos ventos de um Sol jovem

Para um planeta abrigar vida, ele precisa ganhar numa espécie de loteria cósmica. O surgimento de vida, ao menos do tipo de vida que conhecemos, exige que o planeta atenda a uma série de requisitos: é preciso que ele seja rochoso e tenha água em estado líquido. É preciso que ele esteja a uma distância de sua estrela que lhe garanta receber a quantidade adequada de radiação – de modo a não ser nem muito quente, nem muito frio. Pesquisas recentes sustentam, inclusive, que para a vida ser bem-sucedida em um planeta, é preciso que os primeiros seres vivos a surgir em sua superfície sejam capazes de interferir na quantidade de gases estuda da atmosfera – para evitar que a temperatura caia demais. Não basta que a vida apareça. É preciso aparecer o tipo certo de vida.

O professor José-Dias do Nascimento, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisador do Centro de Astrofísica da Universidade Harvard, decidiu adicionar uma nova exigência a essa lista já bastante extensa. Segundo ele, para um planeta rochoso, com água líquida e na zona habitável de uma estrela ser propício ao surgimento de seres vivos, ele também precisa contar com a proteção de um campo magnético. Nascimento e sua equipe simularam o que aconteceria à Terra se o planeta não tivesse esse escudo e ficasse exposta à violência de um Sol jovem. Concluiu que a radiação solar teria varrido a atmosfera do planeta – que viraria um deserto gelado. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (16) no periódico científico Astrophysical Journal Letters. 

Nascimento estuda estrelas gêmeas do Sol - que possuam massa e composição semelhante as dele. Nesse grupo, há uma estrela jovem chamada Kappa Ceti. Ela tem algo entre 400 e 600 milhões de anos e está localizada à 30 anos luz de distância da Terra, na constelação de Baleia: “A Kappa Ceti é bastante parecida com o que o Sol era quando a vida surgiu na Terra”, diz ele.

O estudo de Nascimento demonstrou que o campo magnético de Kappa Ceti – e os ventos solares que dela emanam – é 50 vezes mais forte que o do Sol hoje. Isso significa que, quando a vida começava a surgir na Terra, nossa estrela era muito mais violenta. Sabendo disso, os cientistas decidiram simular o que aconteceria a um planeta hipotético caso estivesse na zona habitável dessa estrela jovem.  Pelo modelo que os pesquisadores geraram, a atmosfera desse planeta seria extirpada. “O vento solar que chega a Terra é cheio de partículas carregadas” diz Nascimento. “Se a Terra não tivesse nenhuma proteção, qualquer tipo de vida teria desaparecido nessa época”.

Para nossa sorte, a Terra era protegida – segundo os pesquisadores, o campo magnético do planeta já era, naquele período, semelhante ao que é hoje. Essa proteção evitou que tivéssemos o destino reservado aos nossos vizinhos. No sistema solar, Marte era outro forte candidato a abrigar vida. “Se um astrônomo alienígena olhasse o Sistema Solar, diria que há vida na Terra e em Marte”, diz Nascimento. Mas as características físicas de Marte não permitiram a existência de um campo magnético duradouro. Acredita-se que o campo magnético terrestre seja gerado pela movimentação de material líquido no núcleo do planeta. “Mas Marte é menor que a Terra. Provavelmente, esse núcleo resfriou e o campo magnético desapareceu”, diz Nascimento.  Sem esse escudo, a atmosfera Marciana foi sumindo aos poucos. Em 2015, astrônomos da Nasa conseguiram medir a quantidade de gases tirada de Marte pelos ventos solares – 100g por segundo. No passado, Marte era um planeta quente e úmido. Essa ação deletéria do Sol o transformou em um deserto gelado.

Nascimento conta que ainda não se sabe se há planetas nas proximidades de Kappa Ceti. Se houver, e esses planetas estiverem na zona habitável da estrela, pode ser que abriguem vida. Isto é, se tiverem a sorte de contar com escudos magnéticos para protegê-los de seu sol violento.
Revista Época   

domingo, 17 de abril de 2016

POLOS MAGNÉTICOS DA TERRA SÃO CONECTADOS


Conexões atmosféricas de longa distância entre os pólos Norte e Sul estão ligando o tempo e o clima em partes distantes do globo, de acordo com dados de uma sonda da NASA. Chamadas de “teleconexões”, os pesquisadores dizem que elas explicam por que a temperatura do ar de inverno em Indianápolis, nos Estados Unidos, durante o chamado vórtice polar, estava correlacionada com uma redução de nuvens de alta altitude sobre a Antártica, a milhares de quilômetros de distância.

“As mudanças nas regiões polares do Norte foram ‘comunicadas’ até o outro lado do mundo”, disse Cora Randall, cientista atmosférica da Universidade do Colorado, Boulder (EUA) e membro da equipe científica da sonda espacial Aeronomy of Ice in the Mesosphere (AIM – em português: Aeronomia do Gelo na Mesosfera).

A sonda AIM da NASA foi lançada em 2007 para estudar nuvens noctilucentes, que se formam a mais de 80 quilômetros acima da superfície da Terra, em uma camada conhecida como a mesosfera. As nuvens, que brilham em azul elétrico após o anoitecer ou de madrugada, são compostas de cristais de gelo que se acumulam sobre a “fumaça de meteoros”, o pó retirado de meteoros conforme eles passam através da atmosfera.

Ao estudar essas nuvens, os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir estas teleconexões. Ventos na estratosfera do Hemisfério Norte, a segunda camada da atmosfera da Terra, estavam afetando, algumas semanas mais tarde, a mesosfera do Hemisfério Sul, a camada acima da estratosfera.

Especificamente, o enorme sistema de vento conhecido como vórtice polar – que trouxe temperaturas frias para a América do Norte em janeiro passado – abrandou. Essa desaceleração, por sua vez, fez a mesosfera do Hemisfério Sul ficar mais quente e seca, causando a formação de menos nuvens noctilucentes.

“Quando você altera a circulação, você muda temperaturas”, conta Randall. Se você alterar as temperaturas em uma área, mas não em outra, os ventos mudam. Ela explica que é criado um sistema de feedback, de modo que tudo o que acontece no Hemisfério Norte se propaga até o Hemisfério Sul.

A equipe encontrou uma ligação estatística entre o tempo invernal no estado norte-americano de Indiana e um declínio nas nuvens noctilucentes sobre a Antártida, duas semanas depois. Randall disse que ela escolheu estudar Indiana porque tem família lá, mas a mesma ligação se provou verdadeira para outras áreas da América do Norte.

Planeta conectado

O tempo frio na América do Norte não fez com que as nuvens sobre a Antártica mudassem, nem as nuvens causaram o tempo frio. Em vez disso, a estratosfera do Norte é que altera ambos.

Tais teleconexões entre a estratosfera do Norte e mesosfera do Sul já tinham sido observadas antes, e os cientistas também sabiam que as condições na estratosfera poderiam afetar o clima na superfície. Mas, agora, parece que a estratosfera influencia, em paralelo, o tempo na superfície local e partes distantes da mesosfera.

Outro estudo recente descobriu que essas nuvens estão se tornando mais comuns sobre latitudes mais baixas, incluindo o sul do Canadá e o norte dos Estados Unidos. Os resultados mostram como as mudanças feitas em uma parte da atmosfera – incluindo aquelas causadas por atividades humanas – não são restritas a apenas essa área. A liberação de grandes quantidades de dióxido de carbono e metano na atmosfera pode provocar a formação de nuvens no Hemisfério Sul, e essas nuvens podem ser usadas como um indicador da mudança climática. “Estamos descobrindo o quão conectada toda a Terra realmente é”, concluiu Randall.

Space

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

CINCO PLANETAS ALINHADOS A OLHO NU PELA PRIMEIRA VEZ

Pela primeira vez desde 2005, seremos capazes de ver cinco planetas (Júpiter, Marte, Saturno, Vênus e Mercúrio) a olho nu de uma só vez.
Este alinhamento é um evento razoavelmente raro. Todos os planetas têm diferentes rotações ao redor do sol, de forma que vê-los em uma só linha é “algo que vale a pena”, de acordo com o Dr. Alan Duffy, da Universidade Swinburne em Melbourne, Austrália.
O fenômeno vai durar um mês. De hoje, 20 de janeiro, até 20 de fevereiro, será possível apreciar os cinco objetos espaciais no céu, entre o horizonte e a lua.
Como observá-los
Duffy explica que os planetas mais fáceis de serem vistos são Vênus e Júpiter. Mercúrio representa o maior desafio, porque estará muito próximo ao horizonte e ficará facilmente “escondido”.
Em ambos os hemisférios norte e sul, o melhor momento para ver os cinco planetas juntos é pouco antes do amanhecer. No entanto, é preciso procurar um local aberto com céu suficientemente escuro, coisa praticamente impossível de se encontrar em áreas urbanas. 

Assim suas melhores chances de observar o alinhamento incomum é ir para uma área remota com pouca luz.  Em seguida oriente-se a partir da lua e procure Jupíter, o primeiro da fila e um dos mais brilhantes.

domingo, 10 de janeiro de 2016

ATUAÇÃO DA FORÇA MICAÉLICA NA BIOGRAFIA INDIVIDUAL

 
Na Biografia individual Micael pode ser considerado uma força arquetípica que impulsiona o nosso amadurecimento anímico: é a coragem de viver, coragem de ser e coragem de reconhecer a essência divina em nós.
Micael nos acompanha ao longo da biografia, preparando o caminho para o adentrar na alma do Eu Superior. Em cada fase da vida, Micael escolhe um semblante diferente e atua de forma distinta.

Fase dos 21 aos 28 anos

O impulso micaélico está presente no calor das emoções, despertando no íntimo a vontade de viver.
Nos mobilizamos em direção ao mundo externo, e impulsionados pelas sensações; nos identificamos com o que está fora de nós, nos apaixonamos a ponto de perder a identidade.
Buscamos um lugar no mundo, buscamos reconhecimento. Assumimos papéis, e apesar de termos uma tremenda opinião própria, os nossos pensamentos são, em grande parte inspirações do mundo exterior.
Os altos e baixos da vida emocional, típicos desta fase representam o dragão que temos que dominar. O Eu é um equilibrista na corda bamba das nossas simpatias e antipatias; amamos sem medidas e odiamos sem discernimento. Voamos às alturas quando recebemos um elogio e despencamos para o fundo do poço ao ouvir uma crítica.
Abrir mão de um ponto de vista significa abrir mão de si mesmo.
O Eu vagueia nas sensações que o mundo externo desencadeia na vida interna. Éxperimentamos o mundo, e atravessamos a fase da vida em que a força  micaélica reside nesta enorme abertura que temos para o mundo. É o prazer de viver, de estarmos ainda, intimamente, ligados à Criação. Somos parte do Todo e o céu é o nosso limite.

Fase dos 28 a 35 anos

Começa a luzir na alma o pensar próprio. Aprendeu-se muito através dos altos e baixos da juventude. A relação com o mundo externo é principalmente através da atividade intelectual autônoma – a espada é a força intelectual.
Agora sim, sou eu que produzo meus próprios pensamentos, sou eu quem pensa o mundo. Disseca-se a rosa para entender sua perfeição, porém relega-se a beleza, perfume e essência da flor.
A partir dos 28 anos, a vida é planejada, as ações são estratégicas e os objetivos definidos. O lugar no mundo precisa ser agora consolidado: família, profissão, bens materiais – o que importa são  resultados!
Aos 33 anos, alcançamos vitoriosos a  curva da vitalidade. Entretanto, transposto este Arco do Triunfo, uma significativa batalha vem pela frente..
A “queda” no mundo material -  própria desta fase – fez com que internamente algo morresse. Valores antigos foram postos de lado, muitos sentimentos foram ignorados, ideais de adolescência ficaram enterrados nas profundezas da alma. A vivência desta morte pode, neste momento, tornar-se insuportável.
O sentimento de estar enterrado vivo no casamento, no emprego, nos compromissos é um parceiro constante. É comum nesta época, perdas afetivas significativas ou doenças agudas. O sentir encontra-se enclausurado pelo pensar dirigido tão só ao mundo físico sensorial.
Este tipo de pensar racional, representa o dragão, do qual temos que nos libertar. Ansiamos por liberdade e o mundo frio de nosso pensar abstrato e lógico só poderá ser preenchido pelo calor dos sentimentos qu, de um lado se manifestam–se como impotência, desalento, mas por outro lado mostram-se  como solidariedade, renovação da confiança, e da esperança. Dentro da alma intelectual individualizada pode desabrochar pouco a pouco uma qualidade de pensar amplo, vivo e criativo: a força micaélica liberta o pensar da região da cabeça levando-o de volta ao coração.
Temos a chance de renascer – não sem ter lutado muito.
Fase dos 35 aos 42 anos
Aqui, Micael começa a viver, como força ativa, dentro da alma pensante. Começamos a enxergar o essencial no mundo que nos rodeia e o pensar factual, conquistado nos bancos duros da universidade, começa  a se tornar, conhecimento espiritual. Começamos a vislumbrar que cultivando este pensar criativo seremos orientados a respeito do caminho individual a ser percorrido.
As percepções espirituais a respeito de nós mesmos e das coisas que na juventude eram inspiradas das alturas são reencontradas pelo livre querer, na vida interior.  Adquirimos discernimento, aprendemos a ler nas entrelinhas, aprendemos com os erros. Começamos a dar ouvido à voz interna:
O que isso tem a ver comigo? É isso que eu quero para mim? É este marido, esta mulher, este trabalho, esta qualidade de vida?
Tudo o que anteriormente nos dava sustentação tais como, reconhecimento, status, segurança material e afetiva, começa a diminuir de importância . Almejamos a autonomia de ser, queremos fazer nossas próprias escolhas. É insuportável viver como um autômato, preso na rotina da vida.
A espada é a capacidade de agir conscientemente. Entretanto, lidamos diariamente com o medo do desconhecido, da solidão, das mudanças, medo dos outros. E sofremos com as contradições entre o que nos tornamos, isto é, as caricaturas  que encenamos, e o que em essência, somos.
A crise da meia idade é uma crise de autenticidade e faça chuva ou faça sol a nossa sombra nos acompanha. Nesta sombra vive o dragão que guarda o limiar do nosso auto desenvolvimento e nos cobra diariamente o que temos que transformar em nós.  A força micaélica nesta fase é a coragem que convoca o coração como órgão da vida, a ser fiel a si mesmo.
Esta é uma fase na qual nos tornamos bastante seletivos. Selecionamos pessoas, situações. Corremos o risco de cair no egocentrismo. Se deixarmos de reconhecer  o amor e apreciar a beleza e a verdade que existem no mundo, a vida interior corre o risco de resssecar. Tornamo-nos pessoas endurecidas, descrentes e preconceituosas. Se mantivermos acesa a chama da veneração pelo ainda desconhecido, as forças vitais  revivem continuamente dentro da alma como pensamentos lúcidos e forças luminosas, de modo que podemos nos referir ao nosso Eu interno como a um Sol Interior. Autoconsciência é isso.

A etapa do desenvolvimento espiritual – Dos 42 aos 63 anos

Com a renascença uma nova era se iniciou. E a humanidade como um todo cruzou o limiar para um novo estado de consciência. As vivências e desafios descritas na fase anterior tornaram-se epidêmicas.
Em meio a tantas imagens diárias de um futuro ameaçador, anseia-se por uma direção espiritual que renove o entusiasmo cotidiano pela existência. Atualmente assistimos a um verdadeiro renascimento pela busca espiritual.
A partir dos 42 anos o conhecimento que adquirimos ao longo da vida e que com todos os nossos esforços, dores e alegrias, se tornou conhecimento próprio, pode ser de novo, universalizado.
A sabedoria humana que é patrimônio de todo indivíduo, pode ser uma ponte com o mundo espiritual. Podemos nos tornar co-responsáveis com Micael pela evolução da humanidade. Isto nos dá a dimensão da grandeza espiritual desta época da vida.
Simultaneamente aos cuidados que se fazem necessários com a saúde, qualquer esforço no sentido do auto desenvolvimento, contribui diretamente com o desenvolvimento da humanidade.
Isto significa que não podemos abrir mão do próprio desenvolvimento mesmo porque, as questões internas, nesta etapa tornam-se ainda mais essenciais: qual é o sentido da minha vida, qual é especificamente a minha missão, porque encontro-me nesta situação?

Entre os passos para um desenvolvimento saudável nesta etapa da vida ,podemos considerar:

Entre 42 e 49 anos

O pensar pode se tornar um órgão que enxerga a atuação das forças criativas no mundo.
Desenvolvemos uma visão global e sensibilidade para o que é preciso ser feito. Podemos retomar valores que se revestem de um novo significado e desenterrar ideais que dão à vida uma nova razão de ser.

Entre 49 e 56 anos

O sentir pode nos transmitir aquela certeza interior que não é abalada por nada. Se ouvirmos atentamente a voz do coração, desenvolveremos um sentido de fazer o que é essencial e não nos desgastarrmos querendo fazer tudo. Dispomos de um projeto de vida pessoal. Em qualquer situação encontramos o lugar próprio.

A partir de 56 anos

Podemos transformar o nosso querer em intuição. Isto não significa um sentimento vago sobre algo, mas sim conseguir perceber claramente onde realmente, eu faço falta. É a força interior que me faz reconhecer nas questões mais corriqueiras que eu sou um instrumento de elevadas forças espirituais.
Esta etapa da biografia abarca a essência da força micaélica.
A missão de Micael é ajudar o ser humano a reconhecer e confirmar a atuação de seres espirituais na sua vida. O preenchimento do destino humano é ao final da vida o renascimento espiritual de seu ser.
E a comemoração anual de Micael é a celebração do ideal mais antigo da evolução humana: o anseio pela fraternidade e pelo amor que vivem no íntimo de cada ser humano.
Edna Andrade
http://www.antroposofy.com.br/wordpress/a-atuacao-da-forca-micaelica-na-biografia-individual/

EUA ADOTAM BASE JURÍDICA PARA “FEBRE DO OURO ESPACIAL”


Os Estados Unidos podem abrir caminho para um nova “febre do ouro” com a aprovação da lei para a exploração de recursos obtidos no espaço, embora a princípio com foco no cinturão de asteroides de nosso sistema solar.
Como ocorreu no final do século XIX, quando os legisladores de Washington firmaram a base legal para a corrida do ouro que já estava em andamento na Califórnia, as autoridades americanas abriram caminho para o estímulo da mineração espacial.
No fim de novembro, o presidente americano, Barack Obama, assinou a chamada “Lei do Espaço” para promover a exploração privada do espaço, algo que já começou a ser realizado por empresas como SpaceX e Orbital ATK com missões de carga à Estação Espacial Internacional e planos além da orbita terrestre.
A lei inclui um último artigo que permitiria a apropriação de asteroides e outros “recursos espaciais” por parte de pessoas físicas e empresas, desde que consigam a tecnologia para se deslocar e explorar esses corpos celestes ricos em minerais como platina, ouro, ferro e água.
O último artigo da lei pede que o governo não interfira na exploração mineradora espacial e deixa claro que quem for capaz de recuperar recursos de um asteroide tem o direito de “possui-lo, transportá-lo, usá-lo e vendê-lo”.
Além disso, os Estados Unidos não se reservam direitos de soberania, algo proibido pelo Tratado Internacional do Espaço Exterior e que, em princípio, não é impedimento para que todo aquele com a ousadia suficiente ponha seu nome em um asteroide.
Empresas que desenvolveram projetos de mineração de asteroides, como a Planetary Resources e a Deep Space Industries, comemoram a aprovação desta legislação que esclarece o marco legal para um negócio que pode ser extremamente rentável e lançar uma febre do ouro em nível espacial.
“Dentro de muitos anos se verá a aprovação desta lei como o momento da história que representou um avanço em nosso caminho para nos transformamos em uma espécie multiplanetária”, declarou em comunicado o copresidente da Planetary Resources, Eric Anderson.
Estas companhias criadas em nome de um sonho estão investindo dinheiro e tempo em desenvolver sondas capazes de se aproximar de um asteroide e explorar seus recursos, em alguns casos tirando-os de sua órbita.
As possibilidades da exploração de asteroides são inumeráveis e vão desde a possibilidade de explorar quantidades inesgotáveis de metais preciosos a apoiar logisticamente colônias humanas na Lua ou em Marte com combustível, água ou outros materiais.
Corpos rochosos que orbitam a Terra ou se acumulam no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter podem ser fonte de riquezas quase inesgotáveis, com a água como principal atrativo para a vida além da superfície terrestre.
Um só asteroide de 500 metros cúbicos pode conter toda a platina obtida de minas terrestres em toda a história ou ter um preço de mercado de centenas de bilhões de dólares, segundo estimativas.
A Planetary Resources, com acionistas de Vale do Silício e assessorada pelo cineasta e explorador James Cameron, já começou a iniciar ambiciosos projetos para visitar asteroides e estudar sua composição com o objetivo a longo prazo de realizar operações de mineração e se transformar em uma rede de “postos de gasolina do espaço”.
“É possível que possamos transportar água e combustível a altitudes como a da Estação Espacial Internacional a custo mais baixo que o de levá-los a partir da superfície da Terra”, explicou o cientista-chefe da Deep Space Industries, John Lewis, em entrevista à Fundação Smithsonian.
Apenas a água, que missões como a europeia Rosetta confirmaram que existe em grandes concentrações em cometas e asteroides, poderia ser a origem de um negócio “trilionário”, segundo a Planetary Resources.

A água é uma espécie de “petróleo” da futura vida espacial, já que, através de processos de hidrólise, será possível obter hidrogênio e oxigênio que impulsionaria foguetes, alimentaria satélites e sustentaria a vida de exploradores espaciais fora da Terra. (Fonte: Terra)

AUTO ESTRADAS NAS GALÁXIAS


Autoestradas existentes em todo o universo são importantes para a formação e evolução das galáxias, acelerando o seu processo de desenvolvimento, que abre uma nova área de investigação.

Este trabalho «permitiu, pela primeira vez, perceber que os filamentos são altamente importantes para a maneira como as galáxias evoluem, basicamente aceleram o processo de evolução de uma galáxia», disse esta terça-feira à agência Lusa David Sobral, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Observatório de Leiden.

«Estes filamentos são estruturas gigantes que achamos que existem por todo o universo, à maior escala possível, são feitos sobretudo de matéria escura e esta organiza-se em estruturas, em 'enxames' de galáxias, pontos muito densos e outros menos densos», explicou o investigador.

A ligar os vários 'enxames' de galáxias existem estes filamentos gigantes, uma espécie de 'autoestradas' que ligam as várias 'cidades' do universo.

Os cientistas queriam perceber como a estrutura cósmica, a rede cósmica, e em particular os filamentos que a compõem, podiam ou não afetar a maneira como as galáxias, como a Via Láctea, se formam e evoluem.

«Parece que estes filamentos são muito importantes para transformar galáxias relativamente saudáveis, como a nossa, em galáxias mortas, à medida que vão, talvez, sendo contidas pelos filamentos até chegarem aos centros destas grandes 'cidades'», referiu o cientista que faz parte do grupo de investigadores, das universidades de California, Edimburgo e Durham, responsáveis pelo trabalho, agora publicado no Astrophysical Journal.

Os filamentos ligam zonas do universo em que 'residem' centenas de milhões de galáxias, num volume muito pequeno, e estes 'enxames', grandes 'metrópoles', são muito distantes, mas são ligadas por megafilamentos, especificou.

David Sobral apontou que as galáxias que estão nas cidades «são sobretudo mortas, têm muito pouca atividade, com muitas estrelas, mas tiveram toda a sua atividade no passado».

As galáxias que se formam nos filamentos, «ao terem uma evolução acelerada, gastam muito mais rapidamente o combustível, formam mais estrelas, e quando chegam às 'cidades' já têm muito pouco combustível para continuar a formar estrelas e, daí, a probabilidade de se apresentarem como mortas aos nossos olhos», relatou o cientista.

O trabalho do grupo de David Sobral, que «abre uma nova área de investigação», utilizou dados dos melhores telescópios do mundo.

«Enquanto antes estávamos apenas concentrados em olhar para galáxias em 'cidades' e galáxias no 'campo' [ambientes muito pouco densos], apercebemo-nos o quão relevante é esta espécie de densidade intermédia, sobretudo porque é uma coisa global que existe em todo o universo, esta rede cósmica», realçou.