quinta-feira, 17 de julho de 2014

PONTE DE GÁS QUENTE CONECTA AGLOMERADOS DE GALÁXIAS

O telescópio espacial Planck, da ESA (Agência Espacial Européia), tem como missão examinar a radiação cósmica de fundo, também chamada de “eco do Big Bang”. Esta radiação, na faixa do microondas, interage com nuvens quentes de hidrogênio, modificando a distribuição de energia no espectro de uma forma bastante particular, em um efeito chamado de efeito Sunyaev–Zel’dovich (SZ).
Este efeito tem sido usado para detectar aglomerados de galáxias, mas também serve para encontrar filamentos de gás quente entre os aglomerados de galáxias.
 No universo primitivo, os filamentos de gás hidrogênio formavam uma densa teia que permeava todo o universo. Nos pontos em que estes filamentos eram mais densos, galáxias e aglomerados de galáxias se formaram.
A maior parte destes filamentos permanece invisível aos cientistas. No entanto, eles acreditavam que, entre aglomerados que estivessem interagindo, o filamento fosse denso e quente o suficiente para ser detectado.
Para encontrar estes filamentos, os cientistas usaram dados de raio-X do satélite XMM-Newton e do telescópio Planck, e descobriram que há uma ponte, ou um filamento de gás quente, conectando os aglomerados Abell 399 e Abell 401, cada um deles com centenas de galáxias.
Esta acabou sendo a primeira detecção de filamentos interaglomerados do Planck usando a técnica do efeito SZ. A combinação destes dados com observações em raio-X de outro satélite, o Rosat alemão, permitiu também deduzir que a temperatura da ponte é similar à temperatura do gás dentro dos dois aglomerados, na ordem dos 80 milhões de graus Celsius.
Por enquanto, ainda há a possibilidade que a ponte seja feita de gás dos próprios aglomerados junto com o hidrogênio primordial. Novas análises e a descoberta de possíveis novos filamentos irão ajudar a esclarecer este ponto. 

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