domingo, 29 de agosto de 2010

PIRÂMIDES DO EGITO E O MISTÉRIO DE ÓRION

Se você tomar o perímetro da pirâmide e dividi-lo por duas vezes a sua altura,
chegará ao número pi (3,14159...) até o décimo quinto dígito. As chances de
esse fenômeno ocorrer por acaso são quase nulas. Até o século 6 d.C., o pi
havia sido calculado só até o quarto dígito.

A Grande Pirâmide pode ser a mais velha estrutura na face do planeta, é a
mais corretamente orientada, com seus lados alinhados quase exatamente
para o norte, sul, leste e oeste. É um mistério como os antigos egípcios
conseguiram tamanha precisão sem utilizar uma bússola - assim com é
incrível que até agora ninguém tenha aparecido com uma explicação para
o enigma.

Todas as construções na planície de Gizé, estão espetacularmente alinhadas.
No solstício de verão, quando visto da Esfinge, o Sol se põe exatamente no
centro da Grande Pirâmide e de sua vizinha, a pirâmide de Quéfren.

No dia do solstício de inverno, visto da entrada da Grande Pirâmide, o Sol
nasce exatamente do lado esquerdo da base da cabeça da Esfinge e passa
toda a cabeça até se pôr ao lado direito de sua base.

A geometria das três pirâmides tem sido uma fonte de confusão por muitos
anos, por causa da maneira aparentemente imperfeita com que foram
alinhadas. É curioso, porque foram os egípcios os inventores da geometria.
Por outro lado, a Pirâmide está colocada num lugar muito especial na face
da Terra - ela está no centro exato da superfície terrestre do planeta, dividindo
a massa de terra em quadrantes aproximadamente iguais. O meridiano
terrestre a 31º a leste de Greenwich e o paralelo a 30º ao norte do equador são
as linhas que passam pela maior parte da superfície terrestre do globo. No
lugar onde essas linhas se cruzam está a Grande Pirâmide, seus eixos
norte-sul e leste-oeste alinhados com essas coordenadas.

A Grande Pirâmide está no centro da superfície terrestre. Ela éo umbigo do
mundo. Muitos arquitetos e engenheiros que estudaram a pirâmide concordam
que, com toda a tecnologia de hoje, não conseguiríamos construir uma igual.
Será ? Às vezes as pessoas preferem acreditar em qualquer coisa menos na capacidade do gênio humano.

Foi com essa intenção que, em 1944, um grupo de arqueólogos tentou construir
uma réplica da pirâmide, sem usar a tecnologia moderna, nem mesmo a roda,
mas seguindo uma escada proporcional de tamanho, tempo e número de
operários 40 vezes menor. Isso resultaria justamente nos 10 m que faltam ao
cume da Grande Pirâmide. Cordas e varetas serviam como instrumentos para medição e demarcação do terreno, as pedras foram cortadas a cinzel nas
pedreiras distantes, transportadas de barco e empurradas até o local da
empreitada, ao lado de Quéops.

O sistema utilizado para erguer as pedras foi uma combinação da rampa com
as alavancas. Tudo como nos velhos tempos.  Para surpresa geral, as pedras
foram se encaixando com precisão milimétrica e a construção progrediu,
apesar dos atrasos provocados pelo desconhecimento do know-how da época,
que teve de ir sendo desvendado na base da tentativa e erro. O que frustrou o sucesso da empreitada foi o tempo. Não deu. Se a equipe dispusesse de alguns
dias a mais, além dos 45 dias determinados, teria construído uma
Grande Pirâmide em escala.

Robert Bauval e Adrian Gilbert tem um estudo astronômico sobre as pirâmides.
Os dois publicaram suas descobertas preliminares no livro THE ORION
MYSTERY, editado pela Heinemann. Eles também fizeram um documentário
para a TV em 1995, lançando uma nova e intrigante luz sobre o assunto. Os
pontos de vista expressados no livro e no documentário foram inicialmente desprezados pelos egiptólogos acadêmicos, mas, conforme as evidências
foram reforçando sua teoria, mais e mais gente a foi aceitando.

Embora Virgina Trimble e Alexander Badawy tenham sido os primeiros a notar
que os "respiradouros" da Pirâmide de Quéops apontavam para a Constelação
de Órion, Bauval foi o primeiro a notar que o alinhamento das três pirâmides
era uma acurada imagem espelhada das Três Marias, como são chamadas no
Brasil as estrelas Alnitak, Alnilam e Mintaka, que formam o "cinturão" de Órion.
A isso ele deu o nome de Teoria da Correlação, que forma a espinha dorsal de
sua pesquisa.

As pirâmides há muito vêm fascinando Robert Bauval. Ele é um engenheiro
egípcio, filho de pais belgas, nascido em Al-Iskandariyaa (Alexandria), e passou
a maior parte da sua vida trabalhando no Oriente Médio. Por muitos anos
ponderou sobre o significado de Sah, a Constelação de Órion e sua ligação
com as pirâmides.

Bauval sabia que a aparentemente inconsistente disposição das três pirâmides
em Gizé não era acidental. Muitos concordavam que o alinhamento, embora
incomum não era um erro, dado o conhecimento matemático que os egípcios
tinham. Enquanto trabalhava numa obra da Arábia Saudita, Bauval costumava
passar as noites com a família e os amigos num churrasco no deserto. Num
desses finais de noite ao redor da fogueira, um amigo engenheiro, que também
era astrônomo amador, apontou para a Constelação de Órion, que se levantava
atrás das dunas. Ele mencionou de passagem que as estrelas que formam o
cinturão do caçador pareciam imperfeitamente alinhadas, e não formavam uma diagonal reta. Mintaka, a estrela mais à direita, está ligeiramente fora do prumo. Enquanto o amigo explicava, Bauval ia vendo a luz - o alinhamento das
três estrelas correspondia perfeitamente ao das Pirâmides de Gizé !

Inicialmente Bauval usou o programa de astronomia Skyglobe para checar o alinhamento das estrelas em 2450 A.C. O software foi suficiente para clarear a
mente de Bauval quanto ao valor da sua descoberta. O programa Skyglobe
também pode colocar a Via-Láctea nos mapas celestes que produz, e ao fazer
isso Bauval encontrou as evidências para a sua teoria. Gizé está à oeste do
Nilo, da mesma forma que Órion está a "oeste" da Via-láctea, e na mesma
proporção em que Gizé está para o Nilo.

Bauval colocou a precessão das Três Marias e descobriu que, devido à sua proximidade no espaço e à sua grande distância da Terra, há 5 mil anos as
estrelas apareciam exatamente do mesmo modo como são vistas hoje. Claro,
elas mudaram em declinação -antes estavam abaixo do equador celeste, a
cerca de 10 graus de declinação. A astronomia é fundamental na Teoria da
Correlação de Bauval.

Em um ciclo de 26 mil anos, o eixo do nosso planeta oscila levemente e isso
leva a uma mudança aparente na posição das estrelas. Esse fenômeno é
conhecido pelo nome de precessão. Enquanto a Terra oscila, a Estrela
Polar que marca o Pólo norte celeste vai mudando. Atualmente, a estrela
Polar marca esse ponto, mas, na época das pirâmides, no lugar dela estava
Thuban, da constelação Draconis.

Dentro de dez anos, a estrela Vega, da constelação de Lira, irá ser o pólo norte celeste. Outra mudança na posição das estrelas é provocada pela expansão
do universo. As estrelas não estão paradas no espaço - elas têm o que se
chama de movimento próprio. Algumas estão se movendo em direção a Terra, enquanto outras estão se afastando. Grupos de estrelas relacionadas, como as
Três Marias, em Órion, tendem a se mover juntas pelo espaço. A mudança da
posição de uma estrela está em função, entre outras coisas, de sua distância
do local de observação. Estrelas que estão muito longe parecem se mover bem devagar. Este é o caso das Três Marias, distantes aproximadamente 1,4 mil
anos-luz Terra.

Assim, através dos séculos, elas mudaram sua declinação, e hoje nascem e
se põem em tempos diferentes. Mas elas retêm sua forma característica por
causa da distância. É muito importante entender que o céu era diferente no
tempo das pirâmides. A forma geral das Três Marias tem permanecido igual,
embora muitas outras partes do céu tenham mudado drasticamente. Graças
aos sofisticados programas de computador, é possível projetar o céu de volta
no tempo, o que permitiu a Bauval verificar e construiu sua teoria. As relações
que tal descoberta implica são fascinantes.

Os egípcios eram dualistas, tudo em que pensavam e em que acreditavam
tinha sua contraparte - causa e efeito, direita e esquerda, leste e oeste,
morte e renascimento - e nada era visto isoladamente. Eles construíram em
Gizé uma réplica exata do Cinturão de Órion, o destino do Faraó, o Duat.

A egiptologia tradicional acredita que os egípcios praticavam a religião solar,
centrada na adoração de Ra. O culto a Ra, cujo centro era Heliópolis, a
Cidade do Sol, era sem dúvida importante, mas parece que era um apêndice
de uma religião estelar ainda mais antiga.

Toda a evidência que tem surgido sugere que Ra era meramente um dos instrumentos pelos quais o rei retornava ao tempo primordial, e não ao seu
objetivo final. A aplicação da Astronomia ao estudo do Antigo Egito mostra
que as estrelas tinham importância definitiva no destino final do rei, como
se pode notar pelo texto 466 recolhido na pirâmide :

"Ó Rei, és esta grande estrela, a companheira de Órion,
que gira pelo céu com Órion, que navega o Duat com Osíris..."
Site Dominios do Fantástico

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